Omar diz que Bolsonaro foi negacionista desde o início da pandemia

O senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou nessa 2ª feira (3.mai.2021) que o presidente da República, Jair Bolsonaro, foi negacionista “desde o primeiro momento” na condução da pandemia da covid-19 no Brasil.

“O presidente Jair Bolsonaro, desde o primeiro momento, foi negacionista. Ele estimulou aglomerações e achava que nós poderíamos sair dessa pandemia com imunização de rebanho. Vimos que não era nada disso”, disse o senador em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

O congressista, que é presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, falou que Bolsonaro adotou estratégias erradas para combater a crise sanitária. Entre elas, defender a adoção de remédios sem estudos conclusivos de eficácia comprovada para o tratamento da covid-19.

“Sobre essa questão da cloroquina de outros remédios, eu não discuto. Vou pela ciência. Acho que os equívocos cometidos têm que ser avaliados e têm que ser feitas autocríticas. Esses equívocos custaram ao Brasil muitas vidas.”, disse o senador.

Omar Aziz não quis responder se a CPI da Covid pode levar ao impeachment de Bolsonaro.

“Em relação a conclusões, é muito precipitada uma investigação que nem começou ainda a gente falar em punições, muito menos falar em impeachment. Isso seria uma irresponsabilidade política, social com o Brasil”, declarou.

Aziz afirmou os trabalhos da comissão não vão ser em vão. “Com certeza, nós vamos concluir, vamos inquirir, encaminhar aos órgãos competentes para tomar providências”, falou.

O senador destacou a importância de se ouvir ex-integrantes do governo. Aziz disse considerar estranho que tantas pessoas que foram ligadas ao Planalto façam reclamações depois de deixarem os cargos.

“O Fabio Wajngarten [ex-secretário de Comunicação Social] quando saiu, saiu falando mal do [ex] ministro [da Saúde, Eduardo Pazuello]. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também está falando mal do governo. Parece que o governo só presta quando estão no cargo, depois começam a ver defeito”, declarou Aziz.

“Ou o cara fica enfeitiçado quando entra no governo, pelo cargo que está exercendo, que é muito perigoso para o Brasil, ou realmente tem muita coisa errada, porque nunca vi tanto ex-ministro sair de um governo para falar mal depois que sai.”, disse.

Ele afirmou que, caso seja necessário, a comissão poderá fazer acareações.

“Não é porque é depoimento de um ex-ministro que tudo que ele falar é verdade. As contradições existirão. Qualquer coisa que esteja relacionada a gestão, comportamento, obediência cega sem comprovação científica, nós iremos investigar.”, declarou.

Uma dessas acareações pode ser entre Wajngarten e Pazuello. Em entrevista a revista Veja, Wajngarten declarou que Pazuello dificultou o acordo para compra de vacinas da Pfizer.

A negociação com a farmacêutica é uma prioridades da CPI, segundo Aziz.

“Em relação a compra da vacina, um dos principais casos que queremos investigar imediatamente é a Pfizer. Por isso que os próximos convidados, convocados ou para testemunhas, com certeza serão os fabricantes, representantes da Pfizer, o CEO da Pfizer no Brasil”, completou o senador.

Créditos: Poder 360